Para mim, por mim, comigo.

domingo, 24 de julho de 2011



Há muito tempo eu não escrevia textos pessoais e em primeira pessoa, pra quem não sabe eu não andava muito bem há um bom tempo e quem convive mais de perto percebia de longe tudo isso.
Esse final de semana eu fugi pra praia, pra minha casa de praia, sozinha, dirigi por quase uma hora com uma vontade imensa de dar um tiro na cabeça, tava tudo errado, tudo bagunçado, tudo misturado. Não que o caos não me atraia, desde que haja crescimento através dele, e houve.
Descobri que para mim o tempo não é o melhor remédio, é o silencio, a solidão de vontade própria, o refugio, passei muitas horas sozinha, sem falar uma palavra sequer, de frente pro mar, sem ninguém por perto, absolutamente sozinha. Meus pensamentos começaram a se organizar, não existia nada que me desconcentrasse de mim mesma.
Comi comida da vovó até explodir, curti o banzo numa rede, terminei de ler um livro, comecei outro, tudo em silencio, é incrível como os pensamentos se ordenam quando você se concentra neles.
Conheci pessoas fantásticas, conheci o menino mais engraçado do mundo e ele se tornou meu melhor amigo de infância em 15 minutos, empatia é uma coisa forte. Ri horrores com minha amiga, e a orelha de gente coçou bastante. Tomei um porre, dancei forró até o pé doer, tomei cana pura, reencontrei velhos amigos, fiz novos.
Gargalhei até a barriga doer e a lágrima descer, fiz as pessoas gargalharem, aprendi novas gírias, tagarelei tagarelei tagarelei , porque ficar em silencio por mais de 10 horas tem que dar um desconto.
Me olhei no espelho, nua, e comecei a prestar atenção em detalhes que eu já havia esquecido, não tem coisa mais prazerosa do que desejar a si mesmo num espelho, joguei meu remédio da depressão no lixo, e consegui dormir tranqüila sem ele. A ansiedade não me consome mais, levei uma patada pelo telefone e comecei a rir, não chorei, não fiquei mal.
Caminhei na praia, enfiei o pé na areia, tomei banho de mar, comi fruta direto do pé, dei cambalhota na piscina, plantei bananeira, fiz alongamento e hidroginástica sozinha. Ri de mim mesma e me amei mais que nunca.
Passei por situações irônicas que me fizeram enxergar o mal que eu estava fazendo a algumas pessoas. As vezes viver o outro lado da moeda facilita bastante. Percebi que destruir e reconstruir é melhor que reformar.
Conheci um canalha que me jogou cantadas baratas e eu percebi que estava me sentindo bonita de novo, e isso contagia e atrai as pessoas.
Mas o melhor de tudo foi que eu reencontrei o grande amor da minha vida, há tempos que o tinha perdido, e estou completa de novo, amando e querendo bem, e agora ninguém tira o meu amor de mim, o meu amor próprio.


****

Beijos e Boa leitura!

3 Pessoas que não levaram choque ao comentar:

  1. Lara Lima disse...:

    O amor próprio é único que se deve exigir reciprocidade. ;)

  1. Encontrei nas suas palavras o meu amor próprio de volta... Arrasou como sempre amiga

  1. A melhor coisa é esse tipo de solidão, uma solidão saudável que dá tempo pra gente se perceber mais, (re)pensar as coisas que fizemos, as situações desagradáveis que passamos.
    Quando vc falava sobe o silêncio, lembrei dessa citação do Manoel de Barros: "Os silêncios me praticam."

    Continue praticando! :)

    Bjs

 
© Coisa Nenhuma Com Nada | Designed by Thailand Hotels, in collaboration with Tech Updates, Webdesign Erstellen and Premium Wordpress Themes