Ela escreve poemas

domingo, 26 de setembro de 2010
Ela escreve poemas, como se a utopia da vida não bastasse, se esconde atrás dos versos, se aconchega entre suas rimas mal feitas. Gera conflitos e vive plenitude.
Ela escreve poemas, e acredita que todo bom poeta bebe da fonte da frustração e medo. Todo bom poeta tem vícios químicos, de amores, de linguagem. Que já não bastasse o sofrimento natural, o bom poeta acha pouco e passa sua dor para o papel, ludibriado e maquiado por bons adjetivos, uma sintaxe coerente e rimas idiotas. O bom poeta faz do leitor seu brinquedo.
Ela escreve poemas, pois seu reflexo no espelho zomba, ri, aponta e critica. Ela, que mudou seus conceitos, guardou seu corpo para o amor e se jogou nos braços daquele que um dia lhe tratou com desdém. Ela não sabe seguir regras, nem mesmo as que ela mesmo impõe.
Ela escreve poemas, porque a prosa lhe parece cortante, direta e sincera, e viver com suas próprias verdades é um tormento. Ela não tem mais forças para rir das crônicas e seus versos são falsos e ludibriantes, suas linhas com rimas que só ela entende são o que faz ela acordar todo dia com um sorriso roto na cara.
Ela escreve poemas, mas não sabe mais lidar com palavras, seus sentimentos agora apavoram e ela foge deles como o diabo da cruz. A vida a fez desacreditar de tudo, engana seus homens com o seu amor volátil, seus beijos dóceis e seu corpo carente.
Ela escreve poemas, para que seus dias sejam menos enfadonhos e sua cabeça se perca entre linhas. Escreve poemas para curar sua loucura, sua insônia e sua busca por algum sentido que a faça continuar caminhando.
Ela escreve poemas e neles acredita, se apega a tais ilusões pois são elas sua realidade, escreve poemas e através deles seus amores retornam, sua alma preenche, seu corpo sacia, seu sono descansa e seus pés não rastejam.
Ela escreve poemas, porque no caos da sua mente suas frases são as únicas coisas bem organizadas e sensatas. Ela cansou do mundo, das pessoas, das danças e das mentiras. Hoje ela vive plena, segura, amante, amada, supérflua e intensa e permanecerá assim até quando cansar de escrever poemas.

***********

Beijos e Boa Leitura

Embora, por ora, outrora.

domingo, 12 de setembro de 2010


Não entendo mais nem os tragos do meu cigarro, nem os goles das minhas bebidas, nem o gosto das bocas. Hoje sou inerte, desacreditada das valsas, dos tangos, esparramada em lençóis solitários, amanheço em transe, ludibriada pelas vagas memórias de meus sonhos, são eles que me mantém viva, nos meus sonhos meus sorrisos não são pequenos, minhas mãos não são falsas e meu corpo ferve.

Embora não os entenda, meus tragos são passivos, minha mente se desdobra em mil pedaços, meu coração que fora tão leviano um dia, agora repousa, esse coração que nunca pertenceu a ninguém e sempre foi seu, agora se satisfaz de memórias, se embriaga em um oceano nostálgico e sem graça. Numa eterna batalha com minha cabeça, que não admite pensar em você.

Entre retratos, retalhos sem retoques e devaneios, por um instante me perco em seus cabelos, longos, sua barba mal feita, sua pele estranhamente branca e seus olhos, meus olhos, e tudo aquilo que você foi um dia. Hoje seu cabelo é curto, sua barba não existe e sua pele tem um tom meio doente. Hoje suas rimas não cabem nos meus versos, seu cheiro me enjoa e seu cigarro me incomoda, minha cabeça cansou de pensar, meu coração agonizou e te deixou.

E agora eu não entendo os tragos do meu cigarro, não entendo os motivos dos meus porres, meu futuro virou loteria, meus planos evaporaram, e eu te amo da forma mais covarde que existe.
Ainda me resta os versos sem rimas, minha prosa sem sentido, minha cabeça caótica, meus falsos romances, meus livros e meu cigarro. Me resta o Chico, o Sérgio, o Ivan, o Vinícius, o Elvis, o Simonal, e todos os meus outros amores rotos e voláteis,  como haveria de ser.

*********

Mesmo que os cantores sejam falsos como eu
Serão bonitas, não importa
São bonitas as canções
Mesmo miseráveis os poetas
Os seus versos serão bons
Mesmo porque as notas eram surdas
Quando um deus sonso e ladrão
Fez das tripas a primeira lira
Que animou todos os sons
E daí nasceram as baladas
E os arroubos de bandidos como eu
Cantando assim:
Você nasceu para mim
Você nasceu para mim
Mesmo que você feche os ouvidos
E as janelas do vestido
Minha musa vai cair em tentação
Mesmo porque estou falando grego
Com sua imaginação
Mesmo que você fuja de mim
Por labirintos e alçapões
Saiba que os poetas como os cegos
Podem ver na escuridão
E eis que, menos sábios do que antes
Os seus lábios ofegantes
Hão de se entregar assim:
Me leve até o fim
Me leve até o fim
Mesmo que os romances sejam falsos como o nosso
São bonitas, não importa
São bonitas as canções
Mesmo sendo errados os amantes
Seus amores serão bons
[Choro Bandido -   Chico Buarque]


Beijos e Boa leitura.

Dia do sexo

segunda-feira, 6 de setembro de 2010
  • Hoje é o dia do Sexo ...
  1. Minha gata ta comendo uma lagartixa aqui do lado, pelo menos alguem ta comendo algo aqui em casa.
  2. E a coisa mais excitante que eu escutei hoje foi, acorda vagabunda! Da minha delicada mãe
  3. Vou escutar "Sem Fantasia" e depois vou me matar
  4. E o máximo de um convite sexual foi o de Gisele pra jogar strip poker com as meninas
  5. E o mais perto de um orgasmo que eu cheguei foi o choque no chuveiro
  6. Mentira, o mais perto de um orgasmo foi o alfajor que eu comi no posto de gasolina
  7. Vou fazer uma bacia de pipoca, uma panela de brigadeiro, 2L de coca[cola] e esperar o ataque cardíaco
  8. E sexo verbal não faz meu estilo
  9. E minha webcam quebrou, nem sexo virtual
  10. E eu vou assistir Diário de uma Paixão e depois me matar
  11. E não tem nem chocolate em casa pra compensar a falta de sexo
  12. E só teria chocolate suficiente na fantástica fábrica, onde eu acabaria preferindo comer o Jhonny Depp
  13. E a única coisa cilindrica na minha boca é o meu cigarro.
  14. Vou ficar pelada na frente do espelho, pelo menos o meu reflexo vai me ver pelada.
  15. E que chegou mais perto de um pênis foi a salsicha com 2 ovos que eu fiz pra comer agora pouco.
  16. Nem o Serra, nem a umidade do ar, nem ninguem aqui pra me comer
  17. E eu vou jogar PS2 com meu filho
  18. E eu comendo sucrilhos com leite na frente do pc
  19. E eu não faço sexo há 4 meses.
  20. E eu to pouco me fodendo [literalmente]
  21. Vão se foder! 

Queria ser dos 50

segunda-feira, 30 de agosto de 2010
Eu queria ser de 1950
Ser da juventude dos 60
Rebolar com iêiêiê
Me banhar nos anos dourados
Ver a bossa nova nascer
Sentir aquele abraço
Revoltar com o tropicalismo
Acompanhar a capital ser construída
Ver o Getulio virar suicida
Admirar Chico e Maria se entrelaçando
Sem fantasia, ou retalhos de cetim
Degustar o limão do limoeiro do Simonal
Me acabar no Woodstock
Ser hippie de verdade
Torcer pro Brasil ser bicampeão e conseguir
Ver o Sputinik subir pro espaço
E a coitada da cadela laika com ele
Me apaixonar pelo Elvis
Grudar pôsteres dos Beatles
Frustrar com o Sergio Sampaio
E sua rosa púrpura de Cubatão
Eu queria ser de 1950
Pra poder curtir os 60.

***********

Beijos e boa leitura

Restou

segunda-feira, 23 de agosto de 2010
Do amor, as cinzas
Do beijo, o sabor
Do abraço, os braços
Da valsa, o compasso
Do sexo, o cigarro
Da paixão, a rima
Do meu, o seu
Do verso, a vírgula
Da saudade, a saudade
Da ilusão, a ilusão
Do olhar, a memória
Do cheiro, o nariz
De você, quase nada
Restou.

*********

Beijos e Boa leitura

Você foi saindo de mim
Com sorriso impune
Como se toda faca não tivesse
Dois gumes
Você foi saindo de mim
Devagar e pra sempre
De uma forma sincera
Definitivamente
Você foi saindo de mim
Por todos os meus poros
E ainda está saindo
Nas vezes em que choro
( Saindo de mim - Ivan lins)

A valsa do delírio próprio

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Valsando permaneço inerte

Se parar perco meu rumo
Entre estradas bifurcadas de devaneios
Danço no ritmo do vento
Oscilo entre a lucidez e a ilusão
Que protagonizam meu cinema mudo
E o pranto que me prende
Me sufoca em gritos abafados

Valsando permaneço inerte

Com passos confusos me procuro
Entre compassos caóticos me acho
Rastejo sobre memórias forjadas
Derreto meu corpo e ardo
Escondo-me fora de alcance
Onde suas mãos não toquem
E sua língua não prove
E seu cheiro não envolva
E sendo assim não enlouqueça

E valsando permaneço inerte.

********

Beijos e Boa leitura

Devolva

domingo, 15 de agosto de 2010



Devolva meu sorriso
Minha vontade
Meus sonhos
Meus passos
Devolva minha ilusão
Minha obsessão
Meus melhores beijos
Meu corpo
Devolva o meu abraço
Meu traço
Meu próprio
Meu pranto
Devolva minha sina
Minha rotina
Minha caminhada
Minha decepção
Devolva minha máscara
Sem ela não sou.

*************

Foto humildemente roubada do blog da Deborah
Beijos e Boa leitura

O salto

quarta-feira, 11 de agosto de 2010



Abro os olhos
O barranco
Profundo
Amedrontador
Nublado
Frio?
Quente?
Mistério
Envolve
Me chama
Mais um passo
Recuo
Desvio
Retorno
O barranco
Feroz
Amedrontador
Misterioso
Me jogo.

***********
Você é virtualmente amada, amante, você real é ainda mais tocante, não há quem não se encante...

Beijos e Boa leitura

O nó dos verbos meus

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Caminho sem olhar pra trás

Olho sem focar em nada

Foco onde não desequilibro

Desequilibro quando vejo

Vejo quando não espero

Espero sem ao menos perceber

Percebo ao sentir

Sinto o quanto sufoca

Sufoco em minhas lembranças

Lembro enquanto arde

Ardo em pensamentos

Penso no caos que tornou

Torno a caminhar

Caminho sem olhar pra trás.


**********

Beijos e Boa Leitura

Carta ao Desamor III

quinta-feira, 5 de agosto de 2010


Hoje me perguntaram por você, engraçado como há algum tempo não pensava nisso. Em meio à contos de casos perdidos fui pega de surpresa ao perguntarem se eu sentia sua falta...

Sinto, muita. Sinto falta de você me olhando nos olhos e dizendo coisas engraçadas, de deitar na grama e observar estrelas, de virar noites conversando sobre assuntos num leque de filosofia a filmes de ação. Sinto falta do seu abraço e de você mexendo no meu cabelo, dizendo o quanto não gosta de mim e nem sente saudade em tom irônico.

Tenho saudade dos seus beijos suaves, de fazer amor com você, de acordar do seu lado e comer o café da manhã observando o seu jeito meio bruto de comer. Saudades de deitar numa rede e você fazer carinho no meu rosto, de dançar com você, tomar banho de piscina de roupa as 3h da manha numa terça feira.

Sinto falta de te ligar e perder tardes incontáveis conversando besteira, e de descobrir coisas sobre você, que tem medo de filme de terror, não come comida muito quente, é viciado em adrenalina, desleixado, esquecido, gosta de guardar o ultimo gole de coca cola depois do ultimo trago do cigarro, tem o sorriso pequeno e costuma colocar a mao na boca quando sorri, olha pro lado quando não lembra o que vai falar, gosta de café com leite e com muito açúcar, entre outras coisas.

Lembro das suas criticas, e do quanto eu mudei depois de você. Logo, cheguei a conclusão que sinto sim sua falta, por isso te escrevo.

Agora o mais estranho é vir aqui entregar a carta no endereço correto, mas a pessoa que eu dedico esta carta não mora mais aí, não sei quem é esse homem, entrego a carta nas mãos dele, espero que ele leia e repasse para você, porque esse homem para quem eu entreguei a carta é um homem como todos os outros, e dele eu não sinto falta nenhuma.


********


Veja também

Carta ao Desamor I

e

Carta ao Desamor II



Beijos e Boa leitura

Pra lá

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Sai pra lá

Comece a acreditar

Meias verdades não dá

Não quero seu beijo

O beijo

Que beijo

Lembranças

Sai pra lá

Dê meia volta

Não circule

Não rodeie

Me erra

Sai pra lá

Perde o trem

Não vem

Não volte

Você voltou

Não quero

Sai pra lá

Você massacra

Me mata

Me prende

Confunde

O beijo

Que beijo

Não sei até quando posso te resistir

Sai pra lá


************


Beijos e Boa Leitura

Me deixe calar

terça-feira, 20 de julho de 2010

Hoje eu calo

Pois o pranto correu

E a paixão deu fim

O desejo sumiu

O amor se escondeu

O carinho fugiu

A ternura tentou

O zelo pediu

O verso apagou

O poema morreu

O canto abafou

A lágrima secou

O ódio desistiu

A compaixão se queimou

O ombro fraturou

A paciência acabou

Seu orgulho venceu

Então eu calo.

Me deixe dançar

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Eu danço

Ou o pranto me consome

Danço entre versos rasgados

Nos espaços entre nós

Tu não me ouvirias se cantasse

Por isso danço

No balanço dos meus sonhos

E das minhas ilusões

Acompanho as batidas vazias

Rodopio entre gritos abafados

Entre os sons do meu travesseiro

Tu não me olharia se caminhasse

Por isso danço

Enquanto te sinto saindo

Por todos os meus poros

De uma forma branda

Pelo pranto, pelo canto

E quando caminho

Isso pouco te importaria

Por isso eu danço.


***********


Beijos e Boa Leitura

2º Dia - A Melancolia

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Saio de casa, a luz do sol incomoda meus olhos inchados, dirijo para o trabalho com a cabeça vazia, a alma vazia e o coração apertado. Tentei chorar, mas não consegui, fumei 3 cigarros no caminho da empresa, um a mais do que o normal, forço o pensamento em você esperando alguma lagrima e ela não cai, sinto-me em uma espécie de transe, onde os sentimentos se perderam pelo vácuo das minhas idéias, não sinto amor, não sinto raiva, não sinto remorso, não sinto saudade, não sinto e ponto. O nada me consome aumentando o nó na minha garganta, falo ao telefone com minha amiga como se nada tivesse acontecido, contar a historia não dói, hoje.

Chego no trabalho com a mesma empolgação de sempre, e as pessoas notam a ausência do meu sorriso no rosto, perguntam se estou com conjuntivite, quando percebo que minha cara mais parece um balão de são João, minhas olheiras se destacam mesmo com meus olhos do tamanho de uma laranja. Sinto meu corpo fraco, a fome ainda não veio, mas preciso comer, engulo um pãozinho de queijo a força e tomo um energético as 9h da manha, e canalizo toda a concentração que me resta no trabalho. O enjôo me consome, e minha cara sem expressão assusta as pessoas, me sinto engasgada com esse nó na garganta, quero chorar e não consigo.

Meu celular não tem mais seu numero, uma idiotice, sei decorado, mas não te ligo, não tenho nada para falar com você, não hoje. Meu dia de trabalho quase chega ao final, e nada me abalou, nem o esporro do meu chefe, nem a bronca do chefe do meu chefe, nem o fracasso de vendas, nada.

Uma pessoa especial me abraçou hoje, uma pessoa que daria tudo para ter metade do que você tem de mim, e eu chorei pela primeira vez hoje, por um minuto mas chorei, e sentir o calor dele me abraçando me confortou por alguns segundos antes da melancolia me tomar de novo por completo.

Fico cerca de 10 minutos parada em frente ao computador, olhando para você online no meu MSN, parada mesmo, catatônica, o mouse passa por cima enumeras vezes, a vontade de clicar é tamanha que fecho a janela inteira de uma vez, não tenho o que falar com você, não quero falar com você, não hoje.

Não choro, nem sorrio, hoje eu apenas curti a minha dor, senti cada pedacinho meu que atrofiava, deixei doer tudo, deixei doer, deixei sair, deixei cicatrizar.

Deixa, que a hora chega

A dor passa

A alma esquenta

O corpo despreza

Deixa, que a dor não mata

Desestrutura, corrói e incomoda

e vai embora.

Deixa que a hora chega.

[Marcela Ohana]



Beijos e Boa Leitura

1º Dia - O desespero

terça-feira, 29 de junho de 2010

Primeiro dia, tudo é silencioso, só o que escuto são os meus sussurros, vim aos berros para casa dirigindo, e meus berros pareciam ser sufocados pelo nó na minha garganta, meu corpo formiga e minha garganta trava, a fome não chega e o travesseiro parece me criticar mais que você. Chorei tudo o que não tinha chorado, tudo aquilo que tinha guardado e escondido pra mim, e de você, chorei como se o mundo fosse acabar, chorei ao ponto de pensar que meu carro tem piloto automático, pois não conseguia enxergar nada na minha frente. E cada soluço parecia um monte de agulhas me perfurando, minha cabeça virou um verdadeiro caos, pensar em viver sem você é uma tortura, olho pro celular com vontade de te ligar, de retirar tudo o que eu disse, mas recuo, não posso fazer isso.

Me bate uma nostalgia, uma saga de lembranças me corrói, sinto seu cheiro em mim, acendo um cigarro, na esperança de acalmar meus nervos, vejo que minha mão treme, meu corpo atrofia numa dor imensurável, sinto raiva de mim por ter me deixado sentir em tão pouco tempo. Me sinto aliviada por não ter mais que me esconder atrás de meias verdades, o medo de te perder se esvaiu, já perdi, agora só me resta suportar a dor, o que já fiz inúmeras vezes.

Chego em casa, meu pensamento se volta para a única pessoa capaz de me acalmar numa situação dessas, uma pessoa que não faz mais parte da minha vida, mas que me conhece com maestria, em menos de meia hora, ele consegue me arrancar sorrisos e risadas, me sinto melhor e o choro parece que foi embora de vez.

Agora em meio a uma dose cavalar de realidade, tiro sua foto do meu quarto, guardo numa caixa junto ao cartucho de bala que você esculpiu em sabão de côco, e o livrinho de uma lei engraçada, o choro volta, parece que cada parte sua em mim que eu me desfaço é como se me tirassem um dedo mindinho. Vou sentir sua falta, do seu olho torto, do seu sorriso pequeno, da sua voz, das suas mãos, e principalmente, da sua companhia. Sentirei falta dos seus beijos, do seu corpo e do seu sexo, que eu não pude ter por uma ultima noite.

Já começa a ficar tarde e eu sinto vontade de te ligar de novo, deito minha cabeça embaixo do travesseiro que abafa mais um berro profundo, como eu ia acordar amanha sem ter a possibilidade de te ligar? Como eu vou tirar você da minha rotina?

3h da manhã e eu acordo chorando, de novo, como se o ar estivesse resistindo a entrar pelo meu nariz entupido, meu corpo ainda dói, levanto correndo com uma ânsia de vomito que mal me dá tempo de chegar ao banheiro, boto pra fora tudo o que não comi no dia, volto a pensar em você, e abafo meus berros no travesseiro, é desesperador.

Rabisco umas folhas de caderno, tomo uma xícara de café,me banho, visto minha roupa e vou trabalhar. Eu sei que dói, eu deixo doer, deixa doer, ninguém morre disso.


Se ela me deixou a dor,
É minha só, não é de mais ninguém
Aos outros eu devolvo a dó
Eu tenho a minha dor
Se ela preferiu ficar sozinha,
Ou já tem um outro bem
Se ela me deixou,
A dor é minha,
A dor é de quem tem...

É meu troféu, é o que restou
É o que me aquece sem me dar calor
Se eu não tenho o meu amor,
Eu tenho a minha dor



Beijos e Boa Leitura

Sua

sábado, 19 de junho de 2010

Sou sua

De noite, de dia, nua

Estrelas, sussurros, a lua

Em tudo, no pranto, encanto

Sou sua

No café, no almoço, em alma

Eu faço, desfaço, me dou

Na pele, no cheiro, na calma

Sou sua

Me beija, me sufoca, chama

No ouvido, suspira, na cama

Me aperta, me machuca, me ama

Sou sua

Desejo, sonho, vago

Grito, canto, rabisco

Volta, me aperta, me degusta

Sou sua

Só sua.


[ beijos e boa leitura]

Meu presente para você

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Meu salário esse mês não deu pra quem quis, por isso não pude te comprar um presente decente. Eu não tenho coordenação motora pra criar algo legal, mas eu sei escrever.
Eu queria te desejar saúde, mas você não precisa
Pensei em te desejar amor, mas amor você já tem de sobra
Paz e prosperidade é pra quem não tem o que falar.
Eu te desejo tudo o que a vida possa te oferecer de melhor, porque você merece o melhor de todas as coisas, porque você é um ser humano incomparável.
Que quando quer, vai lá e luta, levanta a cabeça, essa sua cabeça cheia de duvidas, é sensato, objetivo, sincero, leal, fiel, determinado, carinhoso, educado.
Apesar dos seus 22 anos, você me ensinou tanta coisa, muito da mulher que eu sou hoje, devo a você. Com toda a sua paciência, você me moldou e me fez ser uma pessoa melhor, talvez você não saiba o quanto significou em minha vida, mas fez toda a diferença.
Um dia alguém me disse que o amor, quando é amor mesmo, ele nunca se acaba, e você é uma prova viva disso, eu te amei da forma mais pura e sincera, e hoje te amo ainda mais, vendo você alcançando seus objetivos me mata de orgulho, te ver cada vez mais desenrolado e crescendo em todos os aspectos me deixa feliz.
Você é de longe uma das melhores pessoas que eu já conheci, foi de longe o melhor namorado que eu já tive, e hoje é com certeza um grande amigo, que eu sei que eu posso contar sempre, não me canso de falar bem de você aonde quer que eu chegue, do quão honesto e sincero você é com as pessoas a sua volta.
E eu te desejo hoje que você não pare tão cedo, que continue amando, sendo amado, crescendo, amadurecendo, mudando, regredindo, enfim, mas não pare, pois te ver feliz me faz feliz.
Eu desejo ainda mais que você tenha desafios, e enfrente obstáculos, e quebre a cara, se decepcione, e consiga integridade e dignidade suficiente para absorver coisas boas disso tudo. E que cada vez mais seus amigos te surpreendam e te mostrem o quão valiosos eles são [pq são mesmo].
Te desejo muitos anos de vida, e que nessa vida você possa conhecer muitas pessoas, porque todas as pessoas deveriam conhecer você, e se espelhar em você.
E por ultimo, desejo que você leia isso com atenção, e que quando estiver pensando em parar ou desistir de algo, lembre de mim.
Eu te amo, Bernardo.
Um feliz aniversario, com direito a tudo, inclusive bolo e brigadeiro.
Marcela

Lapso Poético, pra variar II

terça-feira, 13 de abril de 2010

Quando eu calo
Você me olha
Me deseja
Me quer
Me prova
Me desgusta
Me conquista
Me tem

Então eu falo
Você se surpreende
Se fecha
Se acha
Se esconde
Se protege
Se decide
Se afasta

Fim?


***********************


Um agradecimento especial pro Mayer, pelo comentario que me inspirou pra esse poema.

Saudade de ti.



Beijos e Boa Leitura

Dói

domingo, 11 de abril de 2010

Doeu,
Não sei por que nem como
Mas doeu, e deu raiva
Doeu forte, doeu dentro
Doeu
E há muito tempo não havia dor
Há muito tempo não havia lagrimas
E você chegou, invadiu e desmontou
Doeu
Não foi amor não foi paixão
Uma coisa física, uma relação bacana
Te ouvir falar, engolir palavras
Doeu
Doeu não poder fazer nada
Ficar desarmada e vulnerável
Te ter por uma ultima vez
Doeu

Carta ao desamor II

terça-feira, 6 de abril de 2010

Estive longe por um tempo, não me culpe por isso. Fugi as pressas de algo que temo, e temer me fez descrente.


Não te peço paciência nem muito menos espero que me entendas, você já me conhece o suficiente para saber o quão leviana eu sempre fui. E mesmo que um dia acredites no que falo aos seus ouvidos, não te aconselho a absorver minhas teorias, pois elas são tão dissimuladas quanto eu.


O meu amor é roto e volátil, nunca espere ouvir de mim tudo aquilo por dois dias seguidos, se eu te amo hoje, amanhã é incerto, o melhor para você é que eu não te ame nunca, e assim poderei ser tua por um bom tempo.


Não leves em consideração palavras ditas sem pensar, numa noite qualquer, num dia de cão, mesmo que esteja olhando em seus olhos, minha lábia é capaz de ultrapassar sentidos. Prefiro que você pense que eu sou idiota, do que tenha certeza que eu sou uma cafajeste.


Meu carinho é arma de defesa, que pra mim faz muito mais efeito do que sua pistola ao lado da cama. Te trato bem, te envaideço, te ludibrio e faço você acreditar que me possui, pois só assim eu posso ser livre sem preocupação.


Você se auto afirma tão complicado e cheio de razões, quando na verdade não passa de um fugitivo como eu, covarde em essência, que acha que já viveu suficiente pra achar que se arriscar é para os fracos. Se torna incapaz de perceber que aos 20 e poucos não passa de um mero aprendiz com uma cabeça pseudo formada e medíocre, e que não quebrou a cara nem metade do que deveria.


A maior diferença entre mim e você é que eu me permito viver e arriscar, meu orgulho não necessita de afirmações, porque apesar de parecer confusa, sei o que quero e quem sou, não fico me escondendo atrás de estereótipos que não condizem com minha realidade.


Não quero que você me ame loucamente, porque eu não mereço metade disso, não preciso que você me guie nem me segure, sei andar com minhas próprias pernas, não admito que você se preocupe comigo, eu não sou inocente.


Eu não amo você, por isso posso ser sua. Agora ,por favor, tire sua roupa e deite aqui do meu lado.


********


Beijos e Boa Leitura
 
© Coisa Nenhuma Com Nada | Designed by Thailand Hotels, in collaboration with Tech Updates, Webdesign Erstellen and Premium Wordpress Themes